sábado, 27 de março de 2010

Acabou!

Finalmente acabou o show Nardoni. É com muita felicidade que comemoro o final de mais um espetáculo promovido pela mídia brasileira. O modo como o caso tomou conta do país é impressionante. Todos estão falando, noticiando e opinando sobre uma futilidade que aconteceu a milhares de quilômetros de nossas casas e nossas vidas.

Não confundam o termo "futilidade", mas um caso como este não pode pautar as discussões do dia-a-dia de uma sociedade. Não que o fato de um pai matar a filha não seja comovente, mas isso não interfere em nada na vida de 99% das pessoas que discutem o tema. Eu, por exemplo, continuo tendo família, sendo estudante de jornalismo e amando minha namorada. Nada na minha vida mudou, e não se engane, também na sua nada mudou.

Peço licença a Hugh Laurie para postar uma célebre frase de seu personagem na série House M.D. "If we were to care about every person suffering on this planet, life would shut down."

Importar-se com este acontecimento e dar audiência para ele só faz com que o jornalismo se torne mais fútil do que ele já é. Pare para pensar em quantas notícias que são publicadas e afetam diretamente a sua vida, leitor. São muito poucas, não é? A audiência que os Nardonis conseguiram só faz agravar esse quadro. E a futilidade jornalística continuará pois surgirão casos tão fúteis quanto esse e tomarão as capas dos jornais por meses.

Nota do autor: Peço desculpas pelo tempo sem postar aqui, mas o tempo e o cansaço estão me matando. Tenho tido vontade de postar aqui sobre vários assuntos, mas a preguiça e o tempo não deixam. Peço novamente a compreensão por aparecer com um texto tão ruim. Não vou revisar ele antes de postar.

4 comentários:

Bárbara Oliveira disse...

Dan, se é que eu posso, gostaria de fazer algumas críticas.
1- achei seu texto um tanto incompleto, fiquei com a sensação de estar faltando algo, mas não sei dizer bem o que. Terminou meios em fim, se é que vc me entende?!

2 - o caso Nardoni, goste vc ou não é notícia. Se a mídia não o noticiasse seria cobrada e criticada por isso. Querendo ou não, brasileiro adora saber da vida alheia, e caso o julgamento não estivesse essa manhã nas capas dos jornais brasieiros, o leitor sentiria falta dessa notícia com toda certeza.

3 - partindo dos critérios de noticiabilidade, vários são os motivos desse fato ter sido tão noticiado: apelo, evolução futura, impacto sobre a nação, identificação do leitor com a noticia (pais, mães e até mesmo filhos) e até uma certa proximidade, já que SP é maior cidade do país e o fato é nacional.

4 - se até BBB é notcia diária nos jornais, pq a morte de uma menina de 5 anos, jogada do 6º andar de um prédio pelo próprio pai não deve ser notícia de capa?

5 - até concordo que talvez tenha havido um certo exagero por parte da imprensa, mas não discordo da publicação, inclusive como notícia de capa.

PS: não te recrimino, apenas usei espaço para debater um assunto de meu interesse. Isso faz parte do jornalismo cidadãoe da cibercultura, como diria Roberto Teixeira...kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Abraço!

Danilo Ribeiro disse...

Bárbara, não recrimino a mídia por estar veiculando a notícia. A recrimino por ter tornado o caso um espetáculo. Até entrevista para o Fantástico com direito a carências da Patrícia Poeta houve.

Eu discuto aqui o real interesse da notícia. É comovente? Óbvio. Merecia todo esse destaque? Não sei. Casos como esse acontecem freqüentemente e sequer são notas de rodapé numa página de jornal.

Você que é uma defensora do jornalismo perfeito e ideal deveria questionar os motivos para na faculdade aprendermos "Critérios de Noticiabilidade". Se eles pregam um jornalismo livre, não deveriam ensinar o que se faz para vender um jornal. Afinal, pensando nas vendas já estaremos, de certa forma, censurando ou dando mais valor a alguma coisa e desmerecendo outra.

Mais uma vez, não recrimino a mídia por ter noticiado. Aliás, não recrimino nem por ter transformado em espetáculo. Eu questiono a validade do mundo de informações que temos todos os dias.

Leonardo Xavier disse...

Eu concordo com o texto, principalmente na parte que fala a respeito de como a sociedade insiste em debater certos temas particulares. Por mais comovente que seja o drama da família da garota Isabella, ele é um drama particular de uma família. Eu acho que tem tanta coisa mais importante que sociedade poderia/deveria discutir.

Bárbara Oliveira disse...

Bem, cuidado com o que vc diz. Não defendo um jornalismo ideal e perfeito como vc diz, apenas não enxergo nossa futura profissão da mesma forma que vc, visão aliás que o extremo oposto da minha. Prova disso é item 5 do meu comentário anterior.
Sei perfeitamente que essa repercussão toda tem defeitos, assim como tem defeitos 99% das matérias publicadas diariamente nos jornais.
É justamente pq vende jornal e da audiência que o caso foi tão divulggado, já que ao seu modo o jornalismo é uma empresa (como de fato é, mas pra mim não só isso), vc deveria estar satisfeito com a repercussão do caso pela mídia. Deu dinheiro meu caro, deu lucro, não é isso o mais importante para qualquer empresa?
E quanto ao grande número de informações que temos todos os dias e não são publicadas eu concordo, mas nesse caso notícias mais fúteis como bbb, horóscopo, novela e tantas outras ocupam o espaço de notÍcias relevantes todos os dias, e não apenas durante uma semana como foi o caso isabella.

Em todo caso, nossas opiniões são diferentes e é pra isso q e serve um blog, divulgar sua opinião sobre um determinado assunto. Por isso nem todos os texto que publico escrevo como estudante de jornalismo, escreve tbm como pessoas, mulher, cidadã.

PS: essas discussões são enrriquecedoras, é sempre bom debater um assunto com vc.